16/11/2015

Livro: Contos dos Irmãos Grimm

Título: Contos dos Irmãos Grimm
Autor: William e Jacob Grimm
Editador por: Dra. Clarissa Pinkola Estés
Editora: Rocco
Ano de Publicação: 1999
Número de Páginas: 310
Minha Avaliação: ♥ ♥ ♥ ♥

"Era uma vez um moleiro muito pobre que tinha uma filha bonita."

Acho que todo mundo já ouviu falar nos Irmãos Grimm. William e Jacob Grimm eram dois irmãos e acadêmicos alemães que viveram entre os séculos XVIII e XIX no Condado de Hesse-Darmstadt (atual Alemanha). Os dois dedicaram-se ao registro de várias fábulas infantis e de contos que ouviam dos camponeses, ganhando grande notoriedade, que os levou a fama de proporções globais. A Disney por exemplo, adaptou alguns de seus contos, como A Bela Adormecida, Branca de Neve, Cinderela, e entre outros contos de fadas de outros autores. Porém, não pense que os contos de fadas originais tinham a mesma leveza das adaptações disnescas. A coisa era mais pesada, havia mais tortura e violência, e eram considerados mais como alertas para que as pessoas não fizessem alguma coisa ou fosse a algum lugar, do que como simples diversão. 

Voltando aos Irmãos Grimm, eles publicaram sete volumes de contos entre 1812 e 1857. Esta edição da Editora Rocco conta com 54 contos em versões originais, que vão dos clássicos como Branca de Neve, Cinderela, Rampunzel e Chapeuzinho Vermelho, a outros não tão conhecidos assim como As Três Línguas e A Árvore Narigueira. Grande parte deles com belíssimas ilustrações de Arthur Rackham. Os contos foram selecionados e prefaciados pela Dra. Clarissa Pinkola Estés, doutora em Estudos Multiculturais e Psicologia Clínica. 

Em seu prefácio ela escreve que "desde os tempos imemoriais, alguns contos têm sido usados para fazer proselitismo (converter alguém a alguma doutrina ou causa) de certas maneiras de ser, agir e pensar. São os contos morais." - ou seja, a ideia primordial dos contos é passar uma lição de moral. Em Chapeuzinho Vermelho, aprendemos a não falar com estranhos - ao fazê-lo, Chapeuzinho e a avó foram devoradas pelo lobo, que antes havia se mostrado falsamente gentil e prestativo. Em João e Maria, a mesma lição é dada ao vermos as crianças aceitarem os doces da casa da velha estranha, que na verdade era uma bruxa que queria comê-los. Em A Princesa e o Sapo, aprendemos a cumprir nossas promessas, pois ao sermos fiéis aos nossos juramentos podemos receber valiosas recompensas - para o sapo recuperar a bola da princesa, esta havia lhe prometido que o levaria para morar com ela no castelo. No começo, a princesa não queria cumprir a promessa e fora obrigada pelo rei a permitir que o sapo ficasse com eles. No fim, ela descobre que o sapo na verdade era um príncipe e se apaixona por ele. E assim por diante.

Preciso confessar que alguns desses contos selecionados para este livro são um pouco sem pé nem cabeça, como é o caso de João Esperto e Elza Sabida, por exemplo. Alguns também se assemelham, além de passar a mesma lição de moral, alguns pontos nas histórias - como personagens, lugares ou acontecimentos - são iguais, como vemos acontecer nos contos As Viagens do Pequeno Polegar e O Pequeno Polegar. Não é a mesma história, mas possui partes parecidas. Além de darem lições de moral, alguns contos também fazem uma crítica e satirizam a sociedade da época. Alguns contos mais desconhecidos eu já conhecia, como Os Músicos de Bremem, Rumpelstiltskin, O Ganso de Ouro, Rosa Branca e Rosa Vermelha, Os Doze Caçadores, O Pescador e Sua Mulher, O Lobo e O Sete Cabritos (essa eu perturbava minha mãe todas as noites para contar pra mim, adorava), etc, pois tive a oportunidade de lê-los em outra seleção de contos dos Irmãos Grimm quando era criança. Essa outra edição possuía mais contos como Irmãozinho e Irmãzinha, Barba Azul e O Grifo. Infelizmente se perdeu na bagunça da minha casa e nunca mais o encontrei. 

De qualquer forma, recomendo este livro. Só tome cuidado se resolver lê-lo para crianças, pois como falei, são versões mais próximas das originais, onde as irmãs de Cinderela cortam os dedos dos pés para caber no sapato, onde Branca de Neve e o Príncipe obrigam a rainha má a dançar com sapatos em brasa até a morte, onde a princesa joga o sapo contra parede e assim quebra o encanto e ele se transforma em príncipe de novo. Como a época era diferente, muita coisa para nós hoje em dia não tem mais sentido, assim como podemos estranhar a brutalidade com que os fatos são contados. No mais, boa leitura!

Algumas das ilustrações de Arhur Rackham (clique nas imagens para melhor visualização)
Rapunzel
Um-Olho, Dois-Olhos, Três-Olhos
João e Maria
O Rapaz Que Não Sentia Calafrios

João e Maria
Chapeuzinho Vermelho
A Gata Borralheira (Cinderela)
Rumpelstiltskin


4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá!
    Adorei a sua resenha! Não pensava que as histórias chegavam ao ponto da Branca deNeve obrigar a bruxa a ficar com sapatos em brasa. E as ilustrações são realmente muito bonitas.
    BJs

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  3. É uma vergonha que esse livro esteja na minha lista de desejados a séculos e eu ainda não li.
    A diagramação com as ilustrações estão ótimas.
    Beijos
    Balaio de Babados

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  4. Muitas destas historias eu nem conhecia a versão verdadeira

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