26/06/2012

A Hora da Estrela

Livro: A Hora da Estrela
Autor: Clarice Lispector
Editora: Nova Fronteira
Ano: 1977
Número de Páginas: 98

“(...) Assim como havia sentença de morte, a cartomante lhe decretara sentença de vida. Tudo de repente era muito e muito e tão amplo que ela sentiu vontade de chorar. Mas não chorou: seus olhos faiscavam como o sol que morria. Então ao dar o passo de descida da calçada para atravessar a rua, o Destino sussurrou veloz e guloso: é agora, é já, chegou minha vez! E enorme como um transatlântico o Mercedes amarelo pegou-a (...)”.
Com certeza seu pai ou sua mãe já falou ou citou algo sobre Macabéa. Com um nome tão excêntrico, Macabéa é a heroína de A Hora da Estrela de Clarice Lispector – último livro publicado da autora ucraniana naturalizada brasileira. Mas como a heroína de Jane Austen em A Abadia de Northanger, Macabéa não produziu nenhum feito heroico, é de uma timidez horrenda, mal fala direito, não possui atrativos e muito menos beleza. É apenas uma retirante alagoana que tenta sobreviver no Rio de Janeiro, tendo suas desventuras narradas por um escritor chamado Rodrigo S.M., auter ego de Clarice.

Macabéa é alagoana, virgem, ignorante, tem dezenove anos e diz-se "datilógrafa". Veio para o Rio de Janeiro com uma tia que cuidava dela desde os dois anos de idade. Quando a tia morre, Macabéa muda-se para um quarto que divide com quatro moças que trabalhavam nas Lojas Americanas: Maria da Penha, Maria Aparecida, Maria do Rosário José e Maria. A única distração da moça era ouvir o rádio, hábito que aliviava sua solidão. Sua alimentação era à base de cachorro quente e coca-cola, e mal tomava banho. Raimundo, patrão de Macabéa, avisa-lhe que vai despedi-la, pois a moça comete muitos erros na datilografia, e que vai manter no trabalho apenas Glória, colega de Macabéa, considerada sensual e bonita. A reação da garota, de se desculpar pelo aborrecimento causado, acaba desarmando Raimundo, que decide mantê-la por mais um tempo.

Um belo dia de chuva, Macabéa encontra com Olímpico de Jesus, que dizia ser metalúrgico e paraibano.  Olímpico era ambicioso, capaz de qualquer ato para crescer socialmente. Até que ele conhece a Glória, que é filha de um açougueiro, e resolve terminar (pasmem, os dois namoraram, aqueles namoricos de pegar na mão só) com Macabéa.

Com o rompimento, Macabéa tem um momento revoltz, compra um batom vermelho, pinta os lábios no banheiro da firma em busca da identidade tão desejada: a atriz Marilyn Monroe. Glória zomba da colega, contudo resolve convidá-la para um lanche em sua casa no domingo. Como tem sentido fortes dores constantemente, Glória indica um médico para Macabéa. Esta, ao consultar-se com o dito cujo, é destratada por causa de sua classe social, porém por ser muito bobinha, acaba é agradecendo a consulta. Descobre então que tem tuberculose, mas não conta a ninguém.

Quando ela volta a falar com Glória, esta percebe sua tristeza e lhe indica uma cartomante, Madame Carlota, como forma de consolo. Minutos antes da consulta de Macabéa, Madame Carlota previu o futuro de outra moça, dizendo que esta seria atropelada por um carro e morreria. Macabéa ouve, mas ainda consulta-se com a cartomante, que prevê um futuro maravilhoso para ela, onde conheceria um loiro rico com quem se casaria, assim que saísse. Macabéa se entusiasma com as previsões e... Bom, para saber o que acontece no futuro de Macabéa, leia o livro, porque eu é que não vou soltar spoiler.

O livro possui duas temáticas: uma obra sobre a vida de uma retirante na cidade grande, mas também uma reflexão sobre o papel do escritor na sociedade. A Hora da Estrela virou filme em 1985, com Fernanda Montenegro como a cartomante Madame Carlota e Marcélia Cartaxo como Macabéa. Um livro que mexe com o psicológico, que trata várias temáticas sociais, como preconceito, pobreza, a ilusão nordestina de tentar mudar de vida na cidade grande, etc. Vale a pena ler. Boa leitura!


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