28/06/2017

Filme: Assim na Terra como no Inferno

Título: Assim na Terra Como no Inferno (As Above, So Below)
Gênero: Terror, Terror Psicológico, Found-Footage
Direção: John Erick Dowdle 
Estúdio: Universal
Elenco: Perdita Weeks (Scarlett Marlowe), Ben Feldman (George), Edwin Hodge (Benji), François Civil (Papillon), Marion Lambert (Souxie), Ali Mahiar (Zed), Cosme Castro (La Taupe). 
Lançamento: agosto de 2014 (EUA)
Minha Avaliação: ♥ ♥ ♥ ♥

"Abandonai toda esperança vós que aqui entrais"

Você já ouviu falar nas catacumbas de Paris? Também conhecidas como "Cidade dos Mortos", trata-se de um ossuário subterrâneo localizado na cidade de Paris, França. Paris possui uma rede de túneis e cavernas subterrâneas desde a época do Império Romano, e numa parte deles foi construído um ossuário no século XVIII, para suprir a demanda de mortos, já que a cidade não parava de crescer. Cemitérios não ofereciam mais espaço para tanta gente morta e o excesso de corpos em decomposição proliferava ainda mais doenças. Foi então que surgiu a ideia de utilizar a rede de túneis para diminuir a superlotação dos cemitérios já existentes. Imagine um lugar onde milhões de ossadas humanas ocupam as paredes? Pois é, cenário perfeito para um filme de terror. E foi nele que Assim na Terra Como no Inferno foi filmado.


O filme é todo filmado no estilo found-footage (como em A Bruxa de Blair, REC, Atividade Paranormal, etc). Eu não sou muito fã desse estilo de filmagem - que faz bastante sucesso, diga-se de passagem, e já existe desde os anos 80 - onde a ideia é "fazer de conta" que o filme se trata de um documentário gravado em primeira-pessoa, numa câmera amadora. Mas numa noite sem muita perspectiva (leia: uma sexta-feira sem balada), encontrei esse filme na Netflix e resolvi dar uma chance. Não me arrependi.


A história é a seguinte: Scarlett Marlowe (Perdita Weeks) é uma ambiciosa arqueologista que tem por ideal de vida encontrar um artefato lendário que seu pai, um famoso pesquisador, se matou tentando encontrar e falhando miseravelmente: a Pedra Filosofal. Quem já assistiu/leu Harry Potter já está familiarizado com esse nome. De fato, J.K. Rowling se inspirou, assim como esse filme, na lenda da Pedra Filosofal, uma poderosa substância que seria capaz de transformar metais "inferiores" em ouro, além de produzir um elixir para curar doenças e dar longa vida a quem o ingerisse. Objeto de estudo da Alquimia na Idade Média, dizem os escritos que o alquimista Nicolas Flamel havia encontrado a fórmula para a criação da Pedra Filosofal, e reza a lenda que ele e sua esposa conseguiram alcançar a imortalidade.


Começamos o filme com Scarlett entrando clandestinamente na fronteira do Irã, determinada a explorar um complexo de túneis que seriam implodidos naquele mesmo dia, onde estaria a Pedra de Roseta, um fragmento em rocha essencial para a tradução dos símbolos mais complexos da Alquimia Clássica. Nos 45 do segundo tempo, Scarlett consegue encontrar a tal pedra e sair ilesa do implodimento (cena essa que quase me fez roer as unhas). Já em Paris, num sítio de escavações, Scarlett revela em depoimento para uma câmera que espera encontrar o local onde estaria guardada  a Pedra Filosofal traduzindo os enigmas deixados por Nicolas Flamel, utilizando os símbolos da Pedra de Roseta. Ela então pede ajuda ao seu amigo George (Ben Feldman), um rapaz que tem como hobby invadir as mais famosas igrejas europeias apenas pela satisfação pessoal de consertar suas torres de sinos. Depois de muito insistir, George acaba topando ajudar Scarlett a traduzir uma placa da lápide de Nicolas Flamel, que indica a localização da Pedra em algum ponto não explorado das catacumbas de Paris.


A partir daqui acho que vou soltar alguns pequenos spoilers (não se preocupe que não contarei o fim do filme), leia por sua conta e risco. Scarlett, George e o operador de câmera Benji (Edwin Hodge) procuram a ajuda de três de exploradores ilegais, Souxie (Marion Lambert), Zed (Ali Mahiar) e Papillon (François Civil), o líder, para tentar chegar nesse tal ponto das catacumbas. Entrando por uma área proibida pelo governo, Papillon prefere chegar ao dito local por uma passagem mais difícil, em vez da mais fácil. Segundo ele, existe uma crença de que todos que pela "mais fácil" entram não conseguem mais sair. Inclusive um amigo seu, conhecido por La Taupe (A Topeira) havia desaparecido justamente após entrar lá. Só que para o espanto de todos, mesmo depois de tanto trabalho, eles parecem ter andado em círculo, e saem no que parece ser o mesmo local onde estavam antes. Scarlett é geniosa e fará de tudo para conseguir o que almeja, sendo capaz de por em risco a vida de todos e inclusive a sua, ao resolver entrar pela temida passagem mais fácil. 


Para alegria geral, eles conseguem chegar ao local onde estaria a suposta Pedra. Mas enquanto Scarlett pega o que seria a Pedra Filosofal, os outros exploradores se contentam em saquear os tesouros guardados no lugar. É aí que a coisa começa a ficar ainda mais problemática. O teto desmorona, deixando-os presos sem ter como voltar por onde vieram. Então, eles se veem obrigados a tentar encontrar outra saída. E de fato, parecem que a encontram. Tal passagem é indicada pelo Princípio da Correspondência de Hermes Trimegisto, um princípio importante da Alquimia que diz que o que está acima é correspondente ao que está embaixo, simbolizado no desenho de uma estrela de Davi que eles encontram numa parede e pela frase que traduzida dá título ao filme: "As Above So Below" - "tanto em cima quanto embaixo". Eles entendem então que devem entrar ainda mais no subterrâneo para encontrar a saída. Em um determinado momento, chegam a uma espécie de entrada, onde George traduz uma frase que diz "Abandonai toda esperança vós que aqui entrais". Segundo Dante Alighieri, autor de A Divina Comédia, essa frase marcava a entrada para o Inferno.


E não é pra menos esta referência. O diretor se inspirou no poema de Dante sobre o Inferno e seus 9 andares de punição para compor a narrativa de Assim na Terra Como no Inferno. Depois de passar pela porta com os dizeres dantescos, Scarlett e os exploradores percebem que as catacumbas seriam uma espécie de limite entre a Terra e o Inferno, fazendo um ser o reflexo do outro, ou seja, tudo que há na terra há no inferno, tudo que está "em cima", possui um reflexo "embaixo". Assim, se na terra houve uma entrada, no inferno haverá uma saída. Por exemplo, os locais por onde eles já haviam estado antes meio que "reaparecem" como se estivessem andando em círculos, mesmo que eles estejam na verdade se embrenhando cada vez mais no subterrâneo. Mas dessa vez cada lugar traz um visão daquilo que "inferniza" cada um dos seis exploradores, daquilo que eles carregam intimamente como sentimento de culpa. Gostei dessa ideia de que o inferno seria algo que carregamos dentro de nós mesmos, algo que não nos perdoamos por ter cometido; os medos, as mentiras, as falhas, as culpas, são aquilo que nos persegue e que pode até nos destruir. E pelo visto, para sair desse inferno, é preciso enfrenta-lo - acredito que aqui seja o fim dos spoilers.


Eu diria que Assim na Terra Como no Inferno me pareceu um Código da Vinci (ou Inferno) com pinceladas de terror, por misturar tantas questões históricas como alquimia, mitologia, hermetismo, o Inferno de Dante, enigmas, mitos históricos, etc e situações assustadoras. O apelo para o medo no filme é algo mais terror psicológico, apesar de aparecerem alguns seres estranhos e bem sinistros em algumas partes. Claustrofóbicos não devem assistir. Até para quem não é, aquele monte de túneis apertados, escuros, molhados, sem saber o que vai aparecer logo adiante e sem perspectiva de saída dão agonia em alguns momentos. 


Eu achei que por ser found footage, o filme fosse mais um "Atividade Paranormal" e como disse, não sou fã (na verdade eu não suporto mesmo, acho chato) desse estilo de filme, mas esse me surpreendeu bastante! Vi alguns elogios, mas também algumas críticas por aí na Internet da vida, porém na minha opinião não achei o filme tão clichê como alguns disseram. Acho que justamente o diferencial foi focar mais em terror psicológico e nos mistérios históricos, deu um ar diferente e não foi um "mais do mesmo". Concordo que alguns efeitos especiais poderiam ter sido um 'cadinho melhores, mas não foi de todo ruim. Recomendo!

"Bora rastejar nisso ai?" Não, obrigada.

Trailer:



3 comentários:

  1. Oie Marikita.. tbm não sou mto fã desse estilo de gravação de filme.. mas fiquei curiosa.. nao conhecia essa 'cidade dos ossos' subterrânea.. vou dar uma chance tbm..

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  2. Olá !!
    Não gosto muito de filme de terror mas esse aí parace ser bem legal !
    Eu como uma verdadeira Potterhead adorei ver indicios da Pedra Filosofal e do Flamel ..
    Que título é esse ?! Arrepiante! !


    Bjos

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  3. Oi Mariana, achei o filme bem diferente e nada clichê.
    Parece(já q não assisti), uma mistura de Indiana Jones , cheio de aventuras, e como você mesma nos contou com o Código da Vinci...Mas bem sinistro!

    Não sou ligada em filmes de terror, mas com toda essa mistura de conteúdo, achei interessante!

    Ótima dica. E pretendo assistir!

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