02/03/2015

Livro: Seleção Poética - Gonçalves Dias

Título: Seleção Poética - Gonçalves Dias
Coleção: Poesia & Teatro
Autor das Poesias: Gonçalves Dias
Autor da Seleção:
Editora: Círculo do Livro
Ano: 1982
Número de Páginas: 180
Minha Avaliação: ♥ ♥ ♥ ♥

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá..."

Você já deve ter escutado ou lido esse trecho umas 500 milhões de vezes. É a primeira estrofe do poema Canção de Exílio, do poeta brasileiro Gonçalves Dias. Escrito em 1843, Canção do Exílio é um sucesso até hoje. Considerado um poeta romântico e indianista, Antônio Gonçalves Dias nasceu em 1823 aqui em terras tupiniquins (Maranhão), filho de um imigrante português ora pois e de uma mestiça. Viajou para Portugal e em 1840 entrou para a Universidade de Direito de Coimbra ainda jovem, e só retornou ao Brasil em 1845. Foi nesse período que escreveu o poema Canção de Exílio, onde descrevia sua amada terra natal, o desejo de voltar para "lá" e a solidão vivida por ele em "cá".



"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Nesta Seleção Poética, podemos encontrar grandes clássicos de Gonçalves Dias, como o poema épico I-Juca Pirama, Seus Olhos, Marabá, Se Se Morre de Amor, O Amor, Sempre Ela, Recordação etc, e o meu favorito: Ainda Uma Vez - Adeus. O meu exemplar das Seleções Poéticas Gonçalves Dias, na verdade, pertence à minha mãe e quando eu não passava de um pingo de gente, eu o peguei para ler. Sim, isso mesmo que você leu, eu devia ter uns 3, 5 anos, sei lá, e peguei um livro de poesias que não eram infantis, para ler. Pergunta se na época eu entendia alguma coisa? Claro que não, mas desde aquela época eu já adorava Ainda Uma Vez - Adeus, um poema enorme, mas que trazia um quê de sofrência e drama que me chamou atenção. Repare na primeira estrofe, que eu sei de cor:

"I
Enfim, te vejo! Enfim - posso,
Curvado aos teus pés, dizer-te
Que não cessei de querer-te
Pesar de quanto sofri
Muito penei, cruas ânsias
Dos teus olhos afastados
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti! (...)"

Poeta Gonçalves Dias
Quando o poeta retornou de Portugal, conheceu sua musa inspiradora, Ana Amélia Ferreira Vale, por quem se apaixonou. Ainda Uma Vez - Adeus foi inspirado em seu amor por Ana Amélia e escrito para ela, como tantos outros poemas e poesias também. Chegou a pedir-lhe em casamento, mas o preconceito como sempre atrapalhou os planos de Gonçalves e sua amada, porque os pais da moça não permitiram o casório por ele ser mestiço. Acabou casando com Olímpia da Costa anos depois, mas com certeza não deve ter sentido o mesmo que sentiu por Don'Ana. Depois que eu soube desse babado, me apaixonei mais ainda por este poema. *-*

Hoje em dia deve ser meio complicadinho encontrar um exemplar novo dessa edição da Seleção Poética - Gonçalves Dias para comprar. Mais fácil encontrar usados em sebos, bibliotecas ou outras seleções. O meu você pode esquecer, porque você nunca o terá hehe. De qualquer forma, recomendo. Muita gente acha chato livro de poemas e poesias, porque não tem a capacidade de interpretação que uma poesia exige. Ou porque não gosta de ler mesmo. Apesar da época, muitas poesias de Gonçalves Dias são de fácil compreensão, então não vai haver muita dificuldade em entendê-las. Qualquer coisa, dicionário tá aí pra isso. Boa leitura!


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nos diga o que achou:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...